quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Felipão alcança 400 jogos no Verdão com um novo desafio

Fabricio Crepaldi
Guilherme Cardoso

Publicada em 08/08/2012 às 07:08
São Paulo (SP)

A temporada de 2012 tem sido especial para o técnico Luiz Felipe Scolari. Quase um mês após o título da Copa do Brasil, o treinador tem outro motivo para comemorar. Nesta quarta-feira, às 21h50, contra o Botafogo, no Engenhão (duelo com transmissão em tempo real pelo LANCENET!), ele vai chegar ao 400 jogo no comando do Palmeiras. E para ter mais festa até o fim do ano, ele tem um desafio indigesto: afastar a equipe da zona re rebaixamento no Brasileirão.

Após liderar o Verdão na campanha pelo fim do jejum de títulos nacionais, Felipão agora batalha para aliviar a situação da equipe no Brasileirão. Depois de 14 rodadas, os palmeirenses seguem em uma situação complicada. Para piorar, o comandante passa por seu pior desempenho no torneio nessa sua 14 participação. Com duas vitórias, quatro empates e oito derrotas, o aproveitamento é de somente 23,8%.

Mesmo assim, a confiança em cima dele não está abalada. Como já ocorreu em outras situações, os torcedores e o grupo de jogadores acreditam no técnico para mudar a situação.

– Ele é a cara do Palmeiras. Fez tudo para vencer todos os torneios, mas não aconteceu. Agora em 2012, deu certo. É muito importante chegar a essa marca, poucos conseguem. Para um treinador vencedor como ele, tem de tirar o chapéu, dar os parabéns. Sempre lutou pelo clube, pelas coisas certas que o clube tinha de fazer, pelos jogadores. Ele deu a cara – afirmou o volante e capitão do time Marcos Assunção.

Felipão é o segundo técnico com mais partidas no comando do Verdão. Ele só fica atrás de Oswaldo Brandão, com 580 jogos. Com contrato até o fim do ano e a ideia inicial de não renovar, a marca não vai ser batida. Mas ele já está marcado no história do clube. Com tantos títulos, livrar o time do rebaixamento não pode ser tão complicado.

A expectativa do palmeirense é que a reação já comece nesta quarta.

As conquistas no Palmeiras:

Copa do Brasil
É bicampeão do torneio. A primeira taça foi em 1998, contra o Cruzeiro. A segunda, em 2012, diante do Coritiba

Copa Mercosul
Ganhou a competição em 1998. Na decisão, passou pelo Cruzeiro

Copa Libertadores
Conquistou título inédito em 1999, contra o Deportivo Cali (COL)

Torneio Rio-São Paulo
Em 2000, passou pelo Vasco e conseguiu o título interestadual

Outras taças
Torneio Naranja e Troféu Maria Quitéria, ambos em 1997

Momentos históricos (com depoimentos de jogadores que foram treinados por Felipão):

1997

A estreia
Palmeiras 4x1 Fluminense
Felipão já tinha feito jogos e torneio amistosos, mas em 5 de julho estreou para valer, no Brasileirão.

Primeira final
Vasco 0x0 Palmeiras
Em dois empates sem gols, foi vice do Brasileirão-97.

“Sabia que era exigente, mas não sabia dessa outra forma de ser. Quando ele vê um jogador que se esforça e quer vencer, ajuda. Os primeiros seis meses do trabalho, em 1997, foram importantes para os outros anos. Lá, começou a montar o time da Libertadores”

Roque Júnior
Ex-zagueiro, jogou com Felipão de 1997 a 2000

1998

Primeiro título
Palmeiras 2x0 Cruzeiro
Em 30 de maio, Felipão ergueu a taça da Copa do Brasil, no Morumbi.

Conquista no exterior
Palmeiras 1x0 Cruzeiro
Em 29 de dezembro, levou a Mercosul, primeiro título internacional no clube.

“É uma pessoa muito exigente e sabe levar o grupo, sabe expor suas ideias e opiniões. Ele acordava sempre muito cedo, se aproximava dos atletas. Sabe como conduzir o grupo. Na cultura do futebol brasileiro, é uma marca muito importante”

Velloso
Ex-goleiro, titular nos títulos de 1998

1999

Épico
Palmeiras 4x2 Flamengo
Em 21 de maio, uma virada nos minutos finais que nunca será esquecida, pelas quartas da Copa BR.

O sonho
Palmeiras 2x1 Deportivo Cali (COL)
Em 16 de junho, nos penais, veio a Copa Libertadores.

“Felipão é do jeito que todos conhecem: cobra, é rígido, muito disciplinar. Sempre busca o melhor, gosta de trabalhar. Ele vê que o que mais pode aproximar do jogo é o treino. É um grande paizão. Forma elenco. Ele é o único que suporta a pressão”

Euller
Ex-atacante, campeão da Libertadores de 1999

2000

Histórico
Palmeiras 3x2 Corinthians
Em 6 de junho, Verdão, que tinha perdido o jogo de ida por 4 a 3, se recuperou em duelo dramático e levou a decisão para os penais. Pelo segundo ano seguido, o maior rival foi eliminado da Libertadores. São Marcos pegou o pênalti decisivo de Marcelinho.

“É um grande treinador, uma grande pessoa, um grande amigo. A nossa torcida é que ele possa fazer 500, 600 jogos no clube. É trabalhador, nunca se acomodou. Está passando por dificuldades no Brasileiro. Torcemos para o Palmeiras voltar a ganhar. É nosso ídolo”

Marcos
Ex-goleiro, trabalhou com Felipão nas duas passagens do técnico

2010

A volta ao mata-mata
Palmeiras 3x0 Vitória
Felipão voltou ao clube no meio de 2010, com o time mal. No primeiro mata-mata, pela Sul-Americana, conseguiu virada após perder de 2 a 0 na ida. Copeiro? Time foi até a semi, mas foi eliminado.

2012

Renasceu!
Grêmio 0x2 Palmeiras
Após eliminação no Paulistão, pressão era grande pela saída de Felipão. Em 13 de junho, uma grande e improvável vitória no Sul, na semi da Copa do Brasil, deixou encaminhada a vaga, confirmada em casa.

“Quando tem qualquer problema que o jogador não pode resolver, ele põe a cara, o peito na frente, e resolve. Isso deixa o jogador tranquilo e faz pensarmos só em jogar. A importância dele na Copa do Brasil foi muito grande, ele fez o grupo ter valor. Soube fazer o grupo ter mais motivação, trouxe o capitão do BOPE para dar palestra, mostrou coisas na TV que fizeram com que ficássemos muito mais motivados, sabendo da nossa importância. Ninguém acreditava que o Palmeiras chegaria na final e seria campeão. Felipão fez nós acreditarmos muito mais do que acreditávamos”

Marcos Assunção
Atual volante e capitão, no clube desde 2010

É campeão!
Coritiba 1x1 Palmeiras
Em 11 de julho, a espera de 14 anos por um grande título nacional terminou. Felipão, invicto, mais uma vez triunfou e conquistou sua segunda Copa do Brasil pelo Palmeiras. A paz voltou! Agora, a meta é reagir no Brasileirão...