Caio Carrieri - 29/09/2012 - 08:05 São Paulo (SP)
Narciso jogou junto com o Palmeiras na vitória sobre o Figueirense, no último sábado. Foi abraçado por Assunção no terceiro gol. Ao lado do então estreante Gilson Kleina no banco, escutou as instruções passadas pelo auxiliar Jair Leite pelo rádio comunicador, e as retransmitiu ao técnico. E mais: incentivou os atletas.
Técnico da base, ele substituiu Felipão interinamente e permaneceu no profissional (por tempo indeterminado). Neste sábado, estará no banco com Gilson Kleina na partida contra a Ponte Preta, no Pacaembu, às 21h. Ao LANCENET!, ele fala da fase do Verdão e da base. Confira.
LANCENET!: Kleina chegou com dois auxiliares (Jair Leite e Juninho), e você foi incorporado. Como é o seu trabalho na comissão?
A minha função é fazer com que chegue no Gilson a menor quantidade de trabalho possível, em relação à característica do atleta, por causa do conhecimento que eu tenho do grupo. O trabalho tem sido positivo, até pela liberdade que temos de conversar com o Gilson. Isso nos ajuda bastante a ir pra frente com todo mundo falando a mesma língua.
L!: Você foi muito participativo no banco, em Florianópolis. Qual o teor da conversa?
Tento passar para o atleta o máximo de confiança. O Gilson também trabalha desse jeito. Nesse momento é importante o atleta estar confiante para jogar. E quando o atleta confia em você, facilita bastante para fazer aquilo que a gente quer. Com o Gilson como cabeça, temos conseguido fazer os atletas acreditarem no que estamos falando e, assim, todos caminham juntos para sairmos dessa situação ruim.
L!: O que mudou desde você assumiu interinamente até agora?
A diferença é que, quando tem a vitória, a confiança aparece. E essa tem sido a maior diferença que temos agora. O grupo está mais alegre e confiante naquilo que faz dentro de campo.
L!: Por que acredita na salvação?
O grupo de jogadores do Palmeiras tem muita qualidade. São capazes de sair dessa situação e já demonstraram isso nesse ano. Foram campeões da Copa do Brasil. E têm mostrado grande responsabilidade dentro dos jogos. Tenho 100% de confiança nesses profissionais. É você poder olhar no olho do atleta e ver que ele quer vencer, não só com a qualidade técnica, mas com a determinação. Tudo vai dar certo e espero comemorar a permanência na primeira divisão.
L!: Bruno citou uma conversa importante entre os líderes do elenco, você e o Sampaio, depois do clássico. Qual foi o assunto?
Pensamos em tirar o time de São Paulo e deixar ele longe da pressão pela qual estávamos passando. O Marcos também participou. Decidimos levar o time para Itu (SP), onde a semana foi bastante proveitosa. Era isso que queríamos antes do jogo contra o Figueirense.
L!: Quão importante é o Marcos na função de “conselheiro”?
O Marcos é uma pessoa fantástica. Está sempre presente conosco, até por ser símbolo do Palmeiras e uma ótima pessoa. Conheço o Marcos há muito tempo e sei que ele é capaz de ajudar nessa função, pelo respeito que ele tem de todos. A cada dia que ele aparece nos traz uma energia positiva, um ambiente gostoso de que precisamos para conquistar as vitórias.
L!: Você já foi efetivado de auxiliar ou voltará para a base?
Não conversamos sobre isso ainda. No momento estou como auxiliar do Gilson e vamos ver o que vai acontecer mais pra frente.
Nota da Redação: Sampaio já disse que Narciso será o técnico do clube na Copinha de 2013.
L!: É o seu maior desafio profissional?
Tudo que faço na minha vida é um desafio importante. Quando eu comecei a jogar bola, foi um desafio. Quando eu virei treinador, também tive um desafio. Quando eu comandei o sub-23 do Santos Futebol Clube, também foi um desafio. Quando fui para o Corinthians, também foi um desafio. Quando eu lutei pela minha vida (venceu a leucemina), também foi um desafio enorme. E graças a Deus consegui passar por cima de todos esses desafios. Esse é um desafio importante e vai dar muito certo para gente.
L!: Você teve boas passagens na base de Santos e Corinthians. A base do Palmeiras é boa?
É muito boa, tem jogadores com qualidade técnica enorme. Não gosto de citar nome de um ou de outro, porque colocaria pressão nos garotos.
L!: Por que o clube revela pouco?
Tudo é questão de oportunidade. Os atletas têm que estar prontos. Quando eu estava na base, eu conversava isso com os jogadores. É fazer um trabalho próximo do nível profissional para mostrar o valor quando surgir a chance. Tenho certeza que a oportunidade de todo mundo vai chegar. Basta estar preparado.