Gabriela Chabatura - 10/09/2012 - 11:56 São Paulo (SP)
A decisão da comissão técnica em fechar os treinos no Palmeiras não é novidade. Desde 2010, quando retornou ao comando do Verdão, Felipão tem o costume de blindar os jogadores em momentos decisivos do time em algumas competições.
Neste ano, os trabalhos fechados aconteceram na reta final da Copa do Brasil. Em junho, na primeira partida contra o Grêmio, pela semifinal do torneio, Felipão surpreendeu ao escalar o zagueiro Henrique como volante. Na segunda, optou por deixar Valdivia no banco de reservas e começar o jogo com três volantes (Henrique, Márcio Araújo e João Vitor), Daniel Carvalho e, no ataque, Mazinho e Barcos.
A estratégia deu certo e o Palmeiras venceu a primeira decisão por 2 a 0, no Olimpíco, com gols de Mazinho e Barcos. O empate na segunda partida por 1 a 0, com gol de Valdivia, garantiu o lugar no time na final do torneio.
Para a final contra o Coritiba, a prática se repetiu. Palmeiras treinou com os portões fechados, com a intenção de "esconder" a escalação do rival. Isso porque, na ocasião, não podia contar com Henrique, suspenso, e Luan, machucado. O treinador, então, optou por Márcio Araújo, Marcos Assunção, João Vitor, Valdivia, Mazinho e Betinho entre os titulares.
Na decisão, em 11 de julho, Felipão perdeu o atacante Barcos, que teve de ser operado de uma apendicite, e Valdivia, suspenso, e manteve o mistério sobre o setor ofensivo até momentos antes de pisar no Couto Pereira. A única mudança foi Daniel Carvalho na vaga do Mago. Resultado? Empate por 1 a 1 e título invicto, após 12 anos de jejum.
Recentemente, no duelo contra a Portuguesa, pelo Campeonato Brasileiro, quando o time deu início ao segundo turno, o comandante proibiu a imprensa de acompanhar os treinos. Apesar do mistério, o Verdão acabou goleado por 3 a 0, no Canindé, permanecendo assim na zona de rebaixamento, com então 16 pontos.
Impossível não lembrar também dos trabalhos secretos de Felipão em 2011, sobretudo, antes de encarar o Coritiba, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Com três desfalques para aquele jogo, o treinador não revelou o time e levou a goleada histórica de 6 a 0, em Curitiba.
Ainda no mesmo ano, na reta final do Brasileirão, em novembro, o Palmeiras treinou longe das câmeras. O objetivo era dar mais privacidade a Luiz Felipe Scolari para conversar com o elenco, que há oito rodadas não vencia na competição e já se sentia ameaçado pelo rebaixamento. O time foi vencer só duas rodadas depois, no clássico contra o São Paulo, por 1 a 0, com gol de Marcos Assunção.
Em 2010, ano em que foi repatriado pelo Palmeiras, Felipão sequer havia chegado à Academia de Futebol, mas ordenou que seu auxiliar Flávio Murtosa fechasse os trabalhos e os jogadores foram impedidos de concederem entrevistas antes do clássico contra o Santos. O time, que não ganhava há quatro rodadas, venceu por 2 a 1 e técnico acompanhou tudo das tribunas do Pacaembu.
Se os treinos fechados farão o Palmeiras reagir neste Brasileirão, só o tempo irá dizer. Afinal, a cada rodada o campeonato afunila e a situação fica ainda mais desesperadora.