domingo, 20 de janeiro de 2013

Ao L!Net, Gilson Kleina garante: ‘Faremos a torcida sorrir novamente’

Caio Carrieri, Fabricio Crepaldi e Guilherme Cardoso - 20/01/2013 - 08:00 São Paulo (SP)

Gilson Kleina - Entrevista Palmeiras - (Foto: Eduardo Viana)
Gilson Kleina se mostra esperançoso para 2013 (Foto: Eduardo Viana)

O homem responsável por levar o Palmeiras de volta à Série A do Brasileiro. Assim pode ser definido o técnico Gilson Kleina. E ele sabe que, após não livrar o time da queda, é isso que os torcedores esperam dele.

Neste domingo, contra o Bragantino, às 17h, o Verdão estreia no Paulistão Chevrolet. Mas não será um jogo simples. Será o primeiro depois do descenso.

Kleina recebeu a reportagem do LANCE!Net em sua sala, na Academia de Futebol. A queda não mudou o jeito tranquilo e educado dele. O técnico diz que o trabalho vem sendo duro no clube. Durante a entrevista, segurou o apito o tempo todo e falou sobre a responsabilidade de reerguer o Alviverde. A qual ele não teme. E garante: vai conseguir fazer o Verdão dar a volta por cima.

LANCE!Net: Você chegou em setembro e não conseguiu salvar o time da queda. Agora, as coisas não estão como queria. Arrepende-se de ter assinado com o Palmeiras?

GILSON KLEINA: Não, jamais. Claro que geramos expectativa de reagir e até tivemos um início de reação, mas muitas coisas aconteceram para não fluir como pensávamos: perda de mando, juntou outro torneio e vieram as lesões, que prejudicaram muito nosso planejamento e o estilo de jogo. Tivemos a pressão grande, terminamos o ano com a queda, mas ao mesmo tempo assimilamos, estamos crescendo muito e levando esse sentimento para este ano. Todos os setores do Palmeiras estão muito mais fortalecidos, mas precisamos mostrar isso em campo.

L!Net: Qual foi o seu principal erro para não livrar o time do descenso no ano passado?

GK: Além do psicólogo, tinha muita viagem e não conseguia mobilizar para ter sempre o mesmo grupo. Eu mudaria no sentido de, se pudesse fazer uma viagem com mais gente, com um grupo maior de jogadores, faria. Seria um gasto maior, mas poderia ter trabalhado esse tempo que não usaria os jogadores que estavam fora: situações táticas, físicas... Eu exigiria mais isso. Fazer quem ficou acompanhar o elenco. Isso dificultou muito. Em vez de viajar com 19, tínhamos de fazer mais esforço.

L!Net: A situação de hoje tem mais pressão do que a de 2012?

GK: No ano passado tinha mais. Além de tentar salvar o time, tivemos de trabalhar com muitas situações adversas ao mesmo tempo: perda de mando, logística de viagem, duas competições, lesões em jogadores experientes e determinantes. Esse momento precisa de atletas assim, com personalidade, que dão força ao time. Fizemos grandes jogos, mas não vencíamos, isso por ter o nervosismo e a ansiedade. Foi muito mais difícil aquela situação. Não quero me livrar da parcela da queda, porque quando assinei estava ciente da situação, que eu precisava ganhar oito jogos em 13 e que meu percentual de erro era muito baixo.

L!Net: Você tem noção do tamanho da sua responsabilidade hoje?

GK: Responsabilidade no futebol é em qualquer lugar. Por ser o Palmeiras, sabemos da grandeza. Desde o meu primeiro jogo eu sabia. O que temos de entender é que todo mundo fala que na Série B vão trabalhar por três vagas. Se não nos prepararmos bem, a Série B é equilibrada. Vejo Libertadores e Série B muito parecidas. São jogos de contato, pegados, competitivos, o que difere é a qualidade técnica com experiência. Na Série B não tem tanto isso, mas teremos gramados ruins, logística ruim, e você vai estar em outra competição. A responsabilidade de voltar gera muito, mas quero preparar todos para isso.

L!Net: O que você coloca como principal meta do Palmeiras em 2013?

GK: No Paulista e na Libertadores queremos fazer nosso melhor. Se não perdermos jogadores importantes, temos condições de a cada jogo crescer muito. Se tudo der certo temos condições de ter um time forte na estreia da Libertadores, já contando com os reforços. Na Série B, vai passar muito pela obrigação de voltarmos. A meta é o foco em todas as competições, mas no que pudermos chegar, vamos chegar.

L!Net: Mas não é preocupante se dedicar à Libertadores sendo que a Série B pode ser ao mesmo tempo?

GK: Subir é uma meta que está bem definida. Mas não posso pregar a Série B agora, porque ela é no segundo semestre. Não pode inverter o calendário. Primeiro é o Paulista e a Libertadores. Queria estar com o elenco mais formado. Mas se isso não aconteceu, já mudamos o planejamento, temos convicções do que vamos adotar. Faremos de tudo para ser fortes no Paulista e ainda mais fortes na Libertadores.

L!Net: Pelo elenco de hoje, falar em título da Libertadores é ilusão?

GK: Vamos tornar nosso futebol uma realidade. Com tudo o que pregarmos no campo e colocarmos na mente de todo mundo, vamos nos tornar um grupo diferenciado. Não podemos achar que temos de ter uma mentalidade de vítima, de coitadinho. Aqui é Palmeiras, tem camisa, uma das maiores torcidas da América. Todos têm de sentir esse peso. A torcida vai jogar junto, esse sentimento do fim do ano fortaleceu, uniu. Fomos cobrados. Mas vejo que todos estão visando um norte bom. Pelo trabalho que estamos fazendo, vamos fazer o torcedor sorrir novamente e dar uma grande conquista para essa nação.

L!Net: E por que o torcedor pode acreditar nesse grupo reduzido?

GK: Acredito muito no treino e no trabalho. Se eu der os melhores treinos, com objetivo, o atleta vai entender. Dentro da filosofia, o que vamos aplicar na parte tática vai para o jogo. É claro que isso não é da noite para o dia e futebol não é uma receita de bolo. Mas tudo aquilo que estamos colocando nos treinos dá para ver resultado. Acredito porque o grupo tem muita qualidade. É pequeno, mas de qualidade.

L!Net: Valdivia começou mais um ano com polêmica. O que espera dele para esta temporada?

GK: Ele é uma referência para nós, para o Palmeiras, tem uma qualidade difícil de encontrar. Pedimos comprometimento. Se ele respeitar todos os treinamentos, o que é passado, porque os setores se preocupam com ele, tenho certeza de que vai corresponder. Ele tem o que é mais difícil: saber jogar, visão de jogo, passe, finalização, dinâmica, sabe articular... Tudo que o meia precisa ele tem. O ano acabou muito ruim, com sentimento de tristeza. Não podemos ter um ídolo e ele não se apresentar. O que me deixou surpreso foi não comunicar ninguém. Temos um grupo trabalhando que quer saber onde está Valdivia. Se ele se inserir nesse processo vamos resgatar o homem e o jogador.

L!Net: Depois de tantas decepções o que faz você acreditar nisso?

GK: Que o Palmeiras é maior que todos. Quando você tem comprometimento com o trabalho e o clube, tem de fazer o melhor. De repente, você tem uma oportunidade só. Não sei se a minha e a dele serão as últimas. Ele tem contrato longo, o meu é de um ano. O que quero passar para ele é muito respeito, mas muita seriedade no que vamos fazer nesse ano. Se todos fizermos um pouco melhor, vamos agregar valores. Espero que Valdivia se insira, porque é muito importante. Não quero trabalhar só com santinho. Sempre tive gente de personalidade mais forte, mas que reagiu em campo. Sempre trabalhamos com disciplina. Muitas vezes não concordo com uma via a 60km/h, eu ando a 80 e sou multado. Tenho de respeitar.