sábado, 19 de janeiro de 2013

Zagueiro do Palmeiras na Copinha: superação marcou vida sofrida

Gabriela Chabatura - 19/01/2013 - 09:11 São Paulo (SP)

Gabriel Dias - Sub-20 do Palmeiras (Foto: Tom Dib)
Gabriel Dias será titular do Palmeiras na Copinha (Foto: Tom Dib)

Gabriel Dias tem sido reserva na Copa São Paulo de Futebol Júnior e ainda não teve chance no elenco profissional. Mas neste sábado, às 17h, contra o Cruzeiro, pelas quartas de final, o zagueiro pode ser o escolhido para ocupar a vaga do suspenso Luiz Gustavo. Apesar da importância do duelo, será apenas mais um desafio de sua vida.

Gabriel chegou ao Palmeiras em 2008, depois de quase abandonar o futebol por dificuldades financeiras. Tudo aconteceu graças ao volante Martinez – que estava no clube na época e hoje joga pelo Náutico – que o viu em um amistoso entre times da cidade de Lourdes e Magda (interior de São Paulo).

Porém, antes que o sonho de jogar em clube grande virasse realidade, ele teve de lidar com a ausência do pai Alexandre Fernandes de Oliveira, morto em uma chacina em Francisco Morato quando tinha apenas oito meses, e a fuga da família para o interior paulista.

Foi no município de pouco mais dois mil habitantes, que Gabriel cresceu e jogou pelo Bandeirante de Birigui. Ao lado da mãe Marli, saía às 5h de casa para treinar. Quando faltava, era porque não tinha dinheiro para a passagem. Ele colhia algodão e tomate junto com o irmão.

– Minha mãe sempre fez tudo para mim. Às vezes, queria uma chuteira nova, mas tinha de comprar coisa para dentro de casa. Minha mãe conversava com meu irmão e meu pai (ele chama o padrasto desta forma), comprava a chuteira e deixava faltar as coisas em casa para me ver feliz.

No ano passado, Gabriel teve de passar por nova provação. Ele rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e ficou oito meses afastado dos gramados. Conseguiu voltar a tempo de jogar o Campeonato Brasileiro Sub-20 e estar no seleto grupo da Copinha.

Neste sábado, é mais um dia para vencer!

Confira uma entrevista exclusiva com Gabriel:

LANCE!Net: Martinez foi quem o levou ao Palmeiras. O que ele significa para você?
Gabriel:
Ele é como um irmão para mim, porque puxa minha orelha quando tem de puxar, me dá dicas. Vejo os jogos dele, acompanho ele, tento aprender com ele. Martinez encanta as pessoas pela humildade. Deus me abençoou.

L!Net: Você perdeu seu pai muito cedo. Sabe por que ele foi morto?
G:
Ninguém me explicou até hoje o que aconteceu. Falam em dívida de bar e outros falam que ele foi bandido. São muitas conversas.

L!Net: Sua mãe fala sobre ele?
G:
Minha mãe conta poucas coisas, ela é casada, então evita. Eu sempre dou uma perguntadinha para saber como era meu pai.

L!Net: Hoje consegue dar melhor condição financeira para sua família?
G:
Hoje, sim. Consigo ajudar mais minha mãe, graças ao Palmeiras. Há mais conforto dentro de casa. Às vezes, tínhamos vontade de comer alguma coisa diferente e não tínhamos dinheiro para comprar. Agora não, posso ajudar.

Confira um com a palavra do volante Martinez:

"Sempre quando há oportunidade de ajudar o mais jovem, é bom. Gabriel é um moleque muito gente boa e de família humilde. Procuro sempre dar conselhos a ele, por vivi a mesma experiência que ele está vivendo. Eu o considero como um irmão. Gabriel é um jogador forte e, mesmo sendo alto, é muito rápido. É muito bom no jogo aéreo. Fico na torcida para que conquiste o seu espaço, algo que ele tem fazendo desde quando ele chegou ao Palmeiras."