Caio Carrieri, Fabricio Crepaldi e Guilherme Cardoso - 17/01/2013 - 07:41 São Paulo (SP)
A possível contratação de Riquelme pelo Palmeiras divide opiniões dentro do clube. Aos 34 anos, a condição física é a principal dúvida entre os conselheiros, ainda mais porque o meia não atua desde julho do ano passado.
Embora Gilson Kleina também já tenha se preocupado com a forma com que argentino se apresentaria na Academia de Futebol, o treinador se mostra ansioso por uma definição da negociação a favor do Verdão.
- Quem não vai querer receber o Riquelme? Quando faço a observação da parte física, é porque eu, como treinador, não posso só ver o jogador pela contratação em si. Preciso analisar o passado, onde ele estava jogando, qual foi o último jogo, qual a situação geral do atleta. A capacidade técnica dele é incontestável, mas precisamos avaliar a capacidade física - declarou em entrevista ao LANCE!Net.
A proposta alviverde está nas mãos de "El 10" há mais de uma semana. Foram oferecidos um salário de cerca de R$ 420 mil e um contrato de até três temporadas, podendo ser mais curto, caso Riquelme queira.
Agora o Palmeiras aguarda uma resposta definitiva do meia e de seu empresário, Daniel Bolotnicoff, para viajar a Buenos Aires (ARG) e, enfim, sacramentar a contratação.
Barcos diz que Riquelme seria boa companhia para Valdivia
Enquanto isso, Kleina imagina a equipe com o astro e se ele e Valdivia poderiam atuar juntos. Confira a seguir estas e outras questões na entrevista exclusiva com o treinador palmeirense:
LANCE!Net: Qual a última informação que recebeu sobre o Riquelme?
GILSON KLEINA: O Palmeiras já fez a proposta para o Riquelme, não é de hoje que isso aconteceu. Foi mandada para o seu procurador. O que me passam é que até agora a resposta dele não veio. Fiquei sabendo que o Fluminense e o Atlético-MG também têm o interesse. Temos que aguardar o que o profissional que trabalha com ele vai responder. Até o presente momento não tenho nenhuma resposta.
L!Net: Você já se mostrou reticente em relação à condição física do Riquelme. Seria capaz de recusar a chegada dele?
GK: Não. Claro que ele deve estar fazendo academia, correndo, mas o treino propriamente dito acredito que só vai fazer no clube pelo qual for contratado. Temos de respeitar as avaliações clínicas. Como está a estrutura muscular, cardiovascular, cardiorespiratória? Com ele bem, ninguém vai ensiná-lo a jogar futebol. Sempre jogou em alto nível. Mas não podemos pensar que, em caso de contratação, o Riquelme vai chegar e estrear em uma semana.
L!Net: Você já imaginou como o Riquelme se encaixaria no time?
GK: É claro que temos de pensar nos jogadores importantes: Valdivia, Riquelme, Barcos. Se o clube faz um investimento nesses jogadores, cabe ao treinador ver de que maneira eles podem jogar. Mas não posso ficar na teoria. Uma situação é clara: a maior força do Riquelme é o potencial dele quando estamos com a bola. Temos de dar a liberdade para ele criar e poder desenvolver todo o futebol que o levou a jogar em grandes clubes e na seleção argentina. Na perda da bola, é claro que vou ter que me preocupar que alguém recomponha para ele. Esse vai ser o equilíbrio do jogo, não tem como.
L!Net: E a questão extracampo? Avaliam as regalias que ele já teve no Boca e os problemas com técnico e presidente?
GK: Isso é uma coisa em que não podemos pensar. Quem vier para o Palmeiras tem de saber que o clube precisa reagir. Se precisa reagir, precisamos trabalhar mais. Eu não posso trabalhar com o grupo excepcional em que estou trabalhando e dar regalias para um ou dois. Foge daquilo que estou pregando, daquilo que eu penso. Vamos respeitar o histórico do jogador que pode chegar para nos ajudar. É claro que, pela idade do Riquelme, podemos fazer um trabalho especial. Não vamos colocar o mesmo trabalho que de um garoto de 20 anos. Queremos que ele jogue e faça o seu melhor no jogo. Tudo isso vai passar. Vamos dar o melhor tratamento e o carinho de todos dentro do Palmeiras.
L!Net: Vislumbra Riquelme e Valdivia jogando juntos?
GK: São dois jogadores com potencial técnico muito grande. Mas se eu analisar o futebol, como está hoje, com muita marcação, transição, vamos ter de trabalhar para ver se isso tem condição. Não posso dizer na teoria. Na teoria eu sei que eles têm um poder técnico muito grande. No futebol hoje conta-se muito quando se perde a bola. Quem vai recompor, retomar? Tive essa experiência contra o São Paulo no passado (derrota por 3 a 0). Coloquei dois jogadores com qualidade técnica (Valdivia e Daniel Carvalho) e perdi o meio de campo. Tive várias dificuldades para obter a posse de bola. Se alguém, no contrato dele, colocar alguma situação que a diretoria acate, eu também sou funcionário. Só quero dizer que, no vestiário e dentro de campo, quem analisa e tem a decisão final sou eu.
L!Net: Poderia deixar Valdivia ou Riquelme no banco?
GK: Tudo vai passar por como está a condição de cada um. Mas não vejo problema. O Palmeiras está para fazer de 80 a 90 jogos no ano. Se não formos inteligentes no planejamento...Temos de otimizar, ver as prioridades e os jogos especiais para termos a força maior.