domingo, 2 de dezembro de 2012

Dispensado, Daniel Carvalho fala em Valdivia intocável e se queixa de rótulo do peso

Guilherme Cardoso - 02/12/2012 - 15:18 São Paulo (SP)

Daniel Carvalho - Treino do Palmeiras (Foto: Eduardo Viana)
Daniel Carvalho disputou 39 jogos e marcou apenas três gols pelo Verdão (Foto: Eduardo Viana)

O fim de ano melancólico do Palmeiras será de muitas despedidas, já que mais de 15 jogadores já foram dispensados pela diretoria depois do rebaixamento, e a lista ainda deve aumentar.

No bolo dos atletas que não terão seus vínculos renovados, Daniel Carvalho deixa o Palestra Itália com o pensamento de que poderia ser mais aproveitado. Em entrevista ao LANCE!Net, o meia demonstra incômodo por Valdivia ter sido praticamente intocável durante a temporada, o que o relegou a condição de reserva permanente. Ele também divide com o elenco a culpa pela queda para a Série B.

- Todo mundo sabe qual foi o resultado no fim. Não foi só culpa minha, não fui só eu que caí. Todos estiveram bem na Copa do Brasil e deixaram a desejar no Brasileiro. Cheguei situação em uma situação desconfortável, porque saberia que seria reserva. Tinha sempre de esperar pela definição se Valdivia iria jogar ou não. Mas já sabia sobre isso. Em alguns jogos quando o time precisou, fui bem. Em outros, fui mal - afirmou agora o ex-camisa 19 do Verdão.

A decisão de que o vínculo do meia não seria renovado saiu já em outubro, depois da derrota para o Coritiba, em Araraquara (SP), como revelou o L!Net. Na época a diretoria fez pressão para Gilson Kleina não aproveitar mais o jogador por ele estar fora de forma.

- Isso ficou rotulado. Quando fui campeão da Copa do Brasil, poderia estar com tantos quilos, mas como ganhou, é isso é o que importa. Poderia estar abaixo do peso no Brasileiro e cair. Assim, falariam que eu estava gordo. Isso incomoda por um lado, mas por outro não. Espero que, independentemente do que aconteça na próxima temporada, lembrem de mim não pelo peso - completou ele, que terminou a sua passagem pelo Palmeiras com 39 jogos e apenas três gols.

Confira a entrevista completa com o meia:

LANCE!Net: O que pode falar agora após a dispensa? O que achou de sua passagem?
Já sabia da informação faz algumas semanas. Tive altos e baixos, o que é normal na carreira de qualquer atleta. Vou continuar torcendo pelo Palmeiras. Espero que suba ano que vem. Não queria que acontecesse esse fato, cair para a Série B. Me sinto como um dos culpados. Bola para a frente

L!Net: Já tem alguma definição sobre o futuro?
O pessoal me informou que posso procurar outro clube, mas não tenho nenhuma autorização por escrito. Tenho contrato até 31 de dezembro. Não vou procurar até me passarem a autorização. Agora, quero descansar, foi um ano complicado. Pretendo aproveitar meu filho, viajar, descansar a mente

L!Net: Pensa em voltar a jogar fora do Brasil?
Estou estudando, Até porque já fiquei esse ano longe do meu filho, comigo em São Paulo e ele em Porto Alegre. Imagina se eu sair do país... Vou ver o que vai ser melhor. A vida de jogador é curta. Sei que daqui quatro, cinco anos vou parar. Também não vou ser bobo de não pensar no lado financeiro, fazer um pé de meia para meu filho. Mas a intenção é ficar

L!Net: Mas como ficou ao receber a notícia da dispensa? Quem falou com você?
Fiquei tranquilo. Minha situação já era delicada. A partir do momento que tinha um ano e contratam Tiago Real por um longo tempo, renovaram com o Mazinho, tinha o Wesley, que pode jogar na minha posição. Aí, Valdivia se machucou e colocaram o Patrick (Vieira). É só perceber. Na época que teria condições de fazer um pré-contrato e não procuraram, já sabia que não ficaria. Fiquei quase um ano esperando o Valdivia para jogar. Quando achei que teria oportunidade, nos três jogos depois, tiveram três armadores diferentes e eu não era convocado. Mas continuei trabalhando. Estou saindo de cabeça erguida. Não vai ter ninguém para falar alguma coisa de mim como profissional. Sempre compareci com todas as obrigações. Se alguém tiver de falar, vai ser só elogios

L!Net: Dá para dizer que você sai do Palmeiras tranquilo? Ficou mágoa de alguém?
Não posso dizer que é tranquilo. Fico um pouco triste. Mas é uma opção do Gilson,da comissão técnica e tenho de respeitar. Não seria agora que faltaria com respeito. Imaginei que poderia ter uma sequência de jogos depois que Valdivia se machucou. Mas entrou Tiago Real, Mazinho, Patrick, e eu fiquei fora. Queria jogar, queria colaborar. Mas tenho de respeitar e não vou julgar. O treinador tem direito de optar

L!Net: Tem um recado para a torcida?
Me sinto como um dos culpados. Não dá para pedir desculpas, mas pode ter certeza que eles ganharam mais um torcedor