domingo, 30 de dezembro de 2012

Tirone projeta poucos reforços até o fim do mandato: 'O próximo presidente pode contratar em dois dias'

Caio Carrieri - 30/12/2012 - 07:03 São Paulo (SP)

Tirone - Coletiva do Palmeiras (Foto: Eduardo Viana)
Arnaldo Tirone fica no cargo até 21 de janeiro (Foto: Eduardo Viana)

Arnaldo Tirone está abatido. Alvejado de críticas até de aliados, o presidente do Palmeiras hasteou a bandeira branca: não concorrerá à reeleição no dia 21 de janeiro.

Neste pleito os conselheiros decidirão quem comandará o clube no próximo biênio, em que a Nova Arena será inaugurada e o time terá de se reerguer na Série B para estar na elite do futebol brasileiro em 2014, ano do centenário.

Nesta entrevista ao LANCE!Net, o mandatário diz o que pretende realizar a menos de um mês de deixar o cargo e o que o motivou a não tentar seguir com a gestão.

L:Por que decidiu não ser candidato à reeleição?
Estávamos numa guerra para nos mantermos no Campeonato Brasileiro. Perdemos a guerra, e eu, como general, vou recuar. Não tem clima, não tenho motivação, apesar de tudo que nós fizemos quando conquistamos a Copa do Brasil. Todo mundo achava que eu já estava reeleito. Não tenho nenhum motivo para concorrer.

L!: Você se arrepende de ter se candidatado em 2011?
Não me arrependo em nenhum momento. Cumpri a minha missão. Fui eleito com 158 votos. Sentar na cadeira de presidente não é fácil. Criticar de fora é a coisa mais fácil do mundo. Ninguém é mágico na vida. Mágico só tem em circo. Quem achar que vai sentar na cadeira e resolver os problemas sozinho está totalmente equivocado. Sentei e trabalhei com a diretoria. Tive a melhor equipe de dirigentes, mas encontramos uma cenário complicado, sem casa para jogar.

L!: O que faria de diferente?
Não sei. Acho que fiz o meu melhor dentro da minha capacidade e da minha visão de administração. A futura gestão que vai ter de comprovar se a minha gestão foi melhor ou pior.

L!: Votará em qual candidato?
Eu tenho 25 dias para decidir e apoiarei o que for melhor para o Palmeiras. Vou analisar as chapas, os dois grupos são bons, e o Palmeiras precisa que o futuro presidente assuma e trabalhe bastante, como nós fizemos. Aceito as críticas, os erros não foram de propósito. Teremos a Nova Arena e um time que foi reformulado, com bons garotos.

L!: Você comprometeu as receitas da próxima temporada ao antecipar mais de 50% da verba?
Isso é uma questão de leitura de números. Cada um lê os números do jeito que achar melhor para entendê-los. Sei que encontrei o clube com um passivo não só da última gestão, mas das anteriores também. Só antecipei receita porque os departamentos financeiro e jurídico solicitaram para pagarmos as contas. Acredito que o futuro presidente também tenha de antecipar receitas. Isso é natural, porque as receitas são do clube.

L!: E na sua leitura, quanto da receita foi antecipado?
Acho que antecipei menos do que a antiga gestão, mas isso não vem ao caso agora. Não tenho esse número. Pode ser 50% como pode ser menos. Isso não quer dizer nada. O Palmeiras tem credibilidade e capacidade de gerar novas receitas. Fizemos um bom trabalho. Por ter ido para a Série B, a análise sobre a gestão é ruim. Mas a gestão foi boa.

L!: Como será a sua vida política dentro do clube após as eleições?
Vou assumir meu mandato no COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), sou conselheiro vitalício e vou continuar a minha vida normal no clube. Sou torcedor e vou continuar colaborando. Não vou atrapalhar em nada.

L!: Continuará frequentando os jogos do clube? Teme ser xingado?
Todos os ex-presidentes são criticados. Cada um no seu perfil. Não temo nada. Estou com a consciência tranquila, porque tentei fazer o meu melhor. Também tenho sido apoiado por torcedores que encontro nas ruas.

L!: A sua presença na sede social também será mantida?
Vou continuar amando o Palmeiras e ajudando o clube. Tenho um nome, me chamo Arnaldo Luiz de Albuquerque Tirone e meu pai foi Arnaldo Tirone. Meu pai conquistou 11 títulos na gestão dele como diretor de futebol (entre os anos 50 e 70). O Palmeiras é o maior campeão nacional (dez conquistas), sendo que desses títulos a família tem três: meu pai tem dois e eu tenho um. Tenho tradição no clube.

L!: Quanto a política conturbada do Palmeiras prejudicou a sua governabilidade?
Essa é uma análise que tem de ser feita depois. Espero que a próxima gestão tenha a ajuda de todos. Eu tive a ajuda de muitos colaboradores. A política do Palmeiras é efervescente e precisa de renovação. O Palmeiras precisa renovar os seus quadros. A nova diretoria tem de ousar e surpreender, o que tentei fazer. A política do clube não é fácil. A partir do momento que o próximo presidente assumir, ele vai ser cobrado, como eu sabia que seria cobrado. A situação não era como imaginava, era muito difícil.

L!: Piraci Oliveira, atual diretor jurídico, diz que a sua gestão é a segunda pior da história do clube.
Não concordo com ele. Ele precisa analisar outras gestões, porque não conhece a história do clube mais do que eu. Piraci é um conselheiro novo e não entendo que ele esteja correto. Todas as gestões tiveram erros e acertos. Considero que a minha foi assim, é claro. Mas não acho que ela foi a segunda pior do clube. Piraci está analisando como torcedor, não como amigo de Tirone e dirigente do clube. Ele participou da minha gestão e teve autonomia para fazer tudo aquilo que ele achou que deveria fazer.

L!: Muitos conselheiros o criticam por não ter convicção ao tomar decisões.
Concordo com isso até certo ponto. Antes de tomar decisões gosto de pensar. Sou uma pessoa que usa a cabeça, e não o emocional para decidir. Por exemplo, no caso de Luiz Felipe Scolari muitas pessoas achavam durante muito tempo que eu deveria mudar a comissão técnica, mas entendia que não. Fui teimoso nessa questão, nós conquistamos um título, e o técnico está na Seleção Brasileira. Vou lhe falar que eu ajudei o clube na parte financeira no começo da minha gestão, como outros vices-presidentes fizeram.

L!: Quanto você investiu? Pegou o dinheiro de volta?
Esse é um detalhe que não vem ao caso agora. Colaborei gratuitamente, sem problema algum. Dediquei ao Palmeiras meu tempo, minha saúde, meu trabalho, minha honestidade e minha competência.

L!: Quantos jogadores serão contratados até as eleições?
Falar em número de jogadores é muito vago. O Palmeiras tem 25 jogadores no elenco. Um grupo seria com 30 jogadores, então precisamos de mais cinco jogadores. É claro que tem gente machucada. Precisamos analisar o grupo que temos. Na minha gestão foram contratados 19 jogadores e nos últimos quatro anos foram contratados 80.

L!: Vai conseguir os cinco reforços antes de deixar o cargo?
O Paulista começa no dia 20, e a Libertadores no início de fevereiro. Acho que o Palmeiras tem elenco para começar o Campeonato Paulista com algum reforço a mais que vai retornar. O futuro presidente pode contratar dois, três jogadores em dois dias. Depende da capacidade de ele decidir se tem de contratar Messi, Cristiano Ronaldo, Pato ou outro jogador.

L!: E Riquelme?
Temos Valdivia na posição.

L!: Mas Valdivia vive machucado.
Acho que com a lesão, de uma hora para outra, a pessoa fica em condições de jogar. O Palmeiras poderia contratar Riquelme, mas depende da equação da contratação. Vou conversar com Gilson Kleina no dia 2, porque não vou viajar. Trabalharei pelo clube nesses dias.