quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Agitado por amigos, Marcos vence temor em pênalti com ajuda de Dida

Eternizado na história palmeirense por ser um exímio pegador de pênaltis, Marcos precisou encarar um antigo temor para fazer a alegria da torcida na última terça-feira, no Pacaembu. Ao ser convencido pelos amigos de que deveria cobrar o pênalti sofrido por Edmundo no primeiro tempo, o ex-goleiro utilizou uma antiga tática entre os companheiros de profissão e soltou a bomba no meio das redes para balançar as redes. E teve a ajuda de Dida, que admitiu ter pulado antes da batida para ajudar o amigo.

"Eu não queria bater o pênalti, não. Ficaram me forçando e já pensei em bater aquele pênalti de segurança, fechar o olho e chutar no meio do gol. Mas o pessoal também me pressionou lá na área falando que ia ficar feio se eu perdesse", disse o palmeirense, que negou qualquer tipo de acordo com Dida antes da cobrança. "Não combinei nada, não. Mas acho que ele saiu bem antes. O Dida já estava caindo para a esquerda quando corri para chutar a bola."

Mesmo com todo o respeito demonstrado a Dida, o pênalti batido por Marcos saiu forte e estufou o canto superior de sua meta. Surpreendentemente, como Dida queria. O goleiro da Seleção Brasileira de 2002 tinha combinado com os demais companheiros para ajudar o amigo. "Estava tudo combinado. Era só bater no gol que entrava", sorriu o jogador que defendeu a Portuguesa no último Brasileiro.Para fazer o que todos desejavam, o ídolo palmeirense precisou atender aos pedidos de quase 37 mil torcedores nas arquibancadas e cobrar o tiro. Antes da partida, Marcos havia deixado claro que o cobrador oficial seria Evair. Os apelos vindos das arquibancadas, porém, fizeram com que até mesmo o camisa 9 alviverde se dirigisse à área do Santo e ajudasse a empurrá-lo até o gol adversário.

A relutância de Marcos em se despedir do futebol com um gol chegou a ser motivo de piada entre os veteranos jogadores. Artilheiro da Seleção de 2002, Ronaldo brincou com a postura do Santo no lance. "Ele ficou nervoso na hora. Tenho certeza disso", disse o ex-atacante.

Capitão do Brasil de 2002, Cafu revelou o que foi dito para Marcos ser convencido a balançar as redes. "Ele ofereceu uma resistência muito grande. Não queria bater por respeito ao Dida e falei que a festa era dele. Ele era o homenageado e estava proporcionando aquele jogo para nós. Era justo que a festa fosse coroada da melhor maneira possível. O Marcos sairia sem tomar gol e ainda faria um em sua despedida", relatou.Antes de atender ao pedido nessa terça-feira, Marcos já tinha balançado as redes cobrando pênalti. Em 2001, a fórmula do Campeonato Paulista determinava que os empates fossem decididos por meio das penalidades máximas. Na ocasião, um duelo contra a Inter de Limeira, no Palestra Itália, foi para as alternadas e obrigou o ex-goleiro a converter o tento que manteve o Palmeiras vivo na disputa.

Em sua despedida,  nessa terça-feira, o desejo do ex-goleiro era terminar a sua carreira com um gol de cabeça. Em 2005, o Santo participava de um jogo beneficente no Palestra Itália e subiu ao ataque para completar um cruzamento para as redes. Apesar de ter atuado na linha por mais de meia hora, a chance de marcar mais um tento não apareceu e sua passagem pelo Palmeiras terminou com um empate por 2 a 2 diante da Seleção de 2002.

"Você sente a felicidade de momento, mas nem considera. Eu já tinha pedido para a Ana Paula (de Oliveira, árbitra do amistoso) não marcar pênaltis porque o pessoal ia me obrigar a bater. Depois do gol, ainda falei para o Dida bater um pênalti em mim no seu jogo de despedida", brincou. "Meu sonho era fazer um gol no ataque. Eu tentava subir nos momentos que o time dava uma pane, mas não tinha dom para isso. Dessa vez me forçaram. O jogo era meu, o projeto era meu, fui lá e bati", encerrou o homenageado da noite.