sábado, 24 de novembro de 2012

Bruno garante volta por cima: 'O Alviverde imponente ressurgirá'

Benjamin Back - 24/11/2012 - 07:06 São Paulo (SP)

Bruno - Treino do Palmeiras (Foto: Ale Cabral)
Bruno tem 15 anos de Palmeiras e sofre muito com o rebaixamento (Foto: Ale Cabral)

Bruno não é apenas um jogador. Ele também torce muito para o Palmeiras. Quase uma semana após a queda para a Série B do Brasileiro, foi o primeiro titular a falar sobre o rebaixamento. No início da semana, Barcos também se pronunciou. Mas foi na Argentina, com a seleção.

Fora do jogo contra o Atlético-GO, neste domingo (vai ser poupado para a estreia de Raphael Alemão), o camisa 1 não esconde a chateação. Após o título da Copa do Brasil, como o melhor goleiro, tudo o que ele não imaginava era a queda.

Ainda abatido, ele só pensa em reerguer o Verdão. Em entrevista ao programa “Papo com Benja”, da LANCE!TV, Bruno falou sobre a situação do Palmeiras e sobre o futuro.

Quase uma semana após o rebaixamento, já dá para entender tudo o que aconteceu?
Nem a gente conseguiu entender direito, foi muito rápido. Ganhar a Copa do Brasil é difícil. Batalhamos muito para conquistar. Pensamos que o ano seria mais tranquilo. A situação era delicada, mas o time é muito bom. Mas a fase boa virou ao contrário, tivemos muitas lesões. As rodadas foram passando... Jogávamos bem e não ganhávamos, tomávamos gol no fim e acabou nessa situação. É difícil até para falar. O que vai dar de desculpa? Contra a Portuguesa estávamos ganhando e tomamos o empate no fim. Contra Vasco também, diante do Fluminense... Vários jogos foram assim.

LANCE!Net: título atrapalhou? O grupo ficou acomodado com isso?
Bruno: Pode ser a acomodação, mas um título nunca atrapalha. Já estávamos na zona de rebaixamento na reta final. Quando joga no limite, não pode errar em nenhum momento. E erramos muito. Esse foi o problema. Tivemos dois empates depois da final, e ganhamos do Náutico. Depois, perdemos do Bahia, fomos roubados demais. Depois disso, a queda foi grande e não conseguimos mais sair dessa situação.

L!Net: Como fazer para se reerguer?
B: A pressão vai ser a mesma, no título ou na queda. Tem de ganhar a Série B. Ligo para o meu pai sempre depois dos jogos e ele sempre disse que se cair, joga a Série B e sobe. A vida não vai acabar. Até ficava bravo com ele. A torcida é maravilhosa, vai continuar apoiando. Quem é palmeirense sabe o quanto ama o clube e sabe que vai se reerguer.

L!Net: O jogo crucial foi a derrota para o Coritiba, em Araraquara?
B: Aquela foi difícil. Eram seis pontos, demos moral para eles e distanciamos nove deles. Aí, nosso alvo virou o Bahia. Eles pouco tiveram chances e tomamos gol no fim. Tivemos azar, os dois gols contra...

L!Net: Como fica a cabeça do goleiro nessa situação?
B: O vestiário é um velório, ninguém fala. Ainda mais nos últimos jogos, que jogávamos bem, como nos Aflitos quando perdemos gols atrás de gols (derrota por 1 a 0 para o Náutico). Contra o Botafogo (empate em 2 a 2), o Lodeiro chuta e a bola volta para ele. Não dá para explicar. O primeiro gol do Fred (derrota de 3 a 2 para o Fluminense)... São coisas que só o futebol proporciona. Jogamos no limite, sem poder errar.

L!Net: Tem conseguido dormir?
B: É difícil. Antes dos jogos, já não dava, ia dormir às 3h, acordava durante a noite toda. A gente queria sair de qualquer jeito, acordava pensando o que podia fazer, tinha de jogar contra o líder... Não tem fome, é muita tristeza. Do mesmo jeito que foi muita alegria proporcionar isso à minha família no título, é o pior sentimento do mundo dar essa tristeza para eles. Ninguém está se sentindo como eu estou. Foi muito ruim. Um ano que foi muito bom para mim, melhor goleiro da Copa do Brasil, título. Acho que fui muito bem no Brasileiro, errei pouco, mas agora caiu e ninguém presta mais.

L!Net: Teve corpo mole de alguém?
B: Pode ser que sim, pode ser que não, não sei. Mas não faltou entrega. João Vitor, todo mundo fala dele, mas ele jogou quase dois meses com o dedo quebrado. Se tomasse um pisão, teria de fazer cirurgia. Teve o Maurício (Ramos), que jogou com adutor aberto, só a base de remédio. A torcida sabe que não faltou entrega. Faltou o detalhe. A entrega foi total, de todos. Tem vários casos assim: Barcos, Assunção...

L!Net: Por que o Felipão saiu?
B: Não sei. Essa notícia me pegou de surpresa. Não imaginávamos, foi na véspera do clássico. Ganhar do Corinthians muda tudo. Perdemos (derrota por 2 a 0). Mas foi pelos resultados, pela pressão....

L!Net: Ele estava sem clima?
B: Mentira. Nosso ambiente era muito bom. O grupo é muito bom de trabalhar, todos se dão bem, temos alegria... Tem o pessoal do pagode, que era muito gostoso.

L!Net: Felipão tirou leite de pedra?
B: Ele teve papel fundamental na Copa do Brasil. Antes do jogo contra o Grêmio (vitória por 2 a 0), ele reuniu o elenco no Sul. Estávamos na mesa com copos de refrigerante e ele mostrou o esquema assim. Fechamos ali atrás e não tomamos mais gol quase. Percebemos que teríamos muita chance de ganhar. Todo mundo teve sua parcela. Imbecil é quem fala que (o título) caiu no nosso colo. Não foi contra qualquer time. Teve Grêmio, Atlético-PR, Coritiba... Cada um aproveitou a chance.

L!Net: Você falava muito com o Marcos durante esses momentos?
B: Conversava demais. Sofríamos juntos. Ele saiu, mas continua sofrendo. É a casa dele. Ele sempre me passou coisas boas, a resposta dele sempre foi muito boa. Isso me dava muita força, vontade de continuar e sair disso. Não queríamos dar essa tristeza para ele.

L!Net: Como está sua rotina agora?
B: Fico em casa, vou para o treino e volto. Tem de se preservar um pouco. Gosto de sair para jantar, ir em show, mas é difícil. Gozação e xingamento fazem parte do futebol, eu filtro muito bem isso. Mas sempre tem aquele que vai pensar que eu estou me divertindo. Mas eu preciso comer. Precisa se preservar. Como torcedor, eu entendo, porque também estou como eles. Pode ter igual, mas sofrendo mais do que eu não tem ninguém. O treino é aquilo, vamos cumprir a obrigação para reerguer o Palmeiras. Quero muito ficar e vamos levantar o Palmeiras.

L!Net: Como será o jogo deste domingo?
B: Vestir a camisa do Palmeiras tem de ser motivo de orgulho. Se almejar algo a mais, é para fora do Brasil. Aqui, os times se equivalem, mas o Palmeiras é top. Temos de honrar. Não importa quem jogar, representamos 18 milhões de torcedores, que estão tristes, mas vão comparecer. Estarão juntos e torcerão. Em 2013, seria fantástico ganhar a Libertadores e a Série B.

L!Net: O que falar para a torcida?
B: Não faltou entrega, dedicação. Vamos assim no ano que vem. Queria entrar pra história do Palmeiras como campeão, não queria que acontecesse isso. Quero muito jogar para reerguer o Palmeiras e colocá-lo onde ele merece. O Alviverde imponente ressurgirá.