Menos de uma semana após perder um jogo que classificava como decisivo, diante do Coritiba, na quinta-feira, em Araraquara, o Palmeiras volta a enfrentar o primeiro time fora da zona de rebaixamento do Brasileiro: o Bahia, nesta quarta-feira, em Salvador. E a estratégia traçada é de manter os jogadores juntos e concentrados o tempo todo, até para a injeção de ânimo que dirigentes e comissão técnica desejam.
"O jogo contra o Bahia é o divisor de águas. É o adversário mais próximo da zona de rebaixamento, um confronto direto. Por isso é o momento de somar forçar. As possibilidades que temos para frente passam por um bom resultado em Salvador", definindo o gerente de futebol César Sampaio, escolhido para dar entrevista coletiva, até poupando o elenco.
Gilson Kleina tratou de fazer um discurso nacional logo após perder do Náutico, no domingo, nos Aflitos, a 18ª derrota do time em 30 rodadas do Brasileiro. "Independentemente do que acontecer, jamais vamos abaixar a cabeça e abdicar do trabalho, siso não condiz a mim e aos profissionais que estão comigo. Não posso estar dentro do jogador, mas conversamos, passamos o que vemos pela situação. Por fora, passo a maior confiança", garantiu o treinador.
Nos discursos, a tentativa é também de evitar que os jogadores se contaminem com a certeza de rebaixamento existente até em alguns torcedores. "Antes dos jogos, que os jogadores possam saber que ainda não caímos. Um bom resultado em Salvador pode nos dar o ânimo necessário para escapar dessa situação", insistiu Sampaio.
Os atletas que falaram logo depois da derrota de domingo, como Juninho, Obina e Bruno, usaram seguidamente os termos "raça", "coração" e "dar a vida". Já Kleina, ao ter que responder se a equipe só salvaria, foi simples dizendo "Sempre dá". São frases assim que o plantel tem ouvido com frequência na concentração em Recife, afastada de São Paulo, antes de viajar para Salvador após o treino da manhã desta terça-feira na Ilha do Retiro.
Independentemente do resultado na Bahia, a concentração seguirá com o time partindo direto na quinta-feira para Araraquara, onde enfrentará o Cruzeiro no sábado. "Agora é o momento de falar pouco, trabalhar muito e ter muito cuidado extracampo, não se expor. No meio de alguns grupos, existem pessoas que não medem as consequências, por isso estamos restringindo o extracampo para ser de casa para o treino e do treino para casa. Que qualquer atividade extra seja fechada, sem avançar muito no horário", disse Sampaio.
Até por um pedido do próprio João Vitor, o volante, que chegou a se apresentar com "hálito de cachaça" para treinar, não está com o elenco alegando fratura no pé direito. "O que sabemos que dá errado é não se cuidar e tentar mudar a situação com palavras. Assim, a tendência de o cenário se agravar é maior. É se expor menos e nos treinamentos e jogos colocar em prática algo merecedor de êxito", solicitou o gerente de futebol.
Para motivar o grupo, o dirigente chega a elogiar o desempenho do Verdão nas duas últimas derrotas, ambas por 1 a 0. "No futebol, não existe justiça, mas um empate contra o Coritiba e uma vitória no Recife, pelo que criamos, não seria absurdo. Futebol é competência e pecamos por isso, mas não sou um bom modelo de conformismo. Se me derem 0,01% de chance, vou lutar o máximo para reverter, e tento passar isso para os jogadores também", contou o ex-volante.
Com essas palavras, o Palmeiras, antepenúltimo colocado do Brasileiro, clube que mais vezes foi derrotado na competição e a nove pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento, tenta buscar as seis vitórias que a comissão técnica julga serem necessárias nos oito jogos que faltam para evitar disputar a Série B pela segunda vez em sua história.