Caio Carrieri
Publicada em 10/07/2012 às 08:00
Enviado especial a Curitiba (PR)
Nenhum jogador do Palmeiras se sente tão à vontade no Couto Pereira, palco da decisão contra o Coritiba, como Henrique. Foi no estádio do Alto da Glória que o camisa 3 do Verdão começou a dar os primeiros passos no futebol.
Natural de Marechal Cândido Rondon, a 575 km de Curitiba, ele se mudou com a família ainda criança para a capital paranaense e, aos 12 anos, ingressou na base do Coxa.
Como volante. Se atualmente o zagueiro ajeitou o time de Felipão ao ser adiantado para o setor, ele desempenhou o papel até a categoria juvenil (15 anos). A partir daí, passou para a zaga. Para Dirceu Krüger, um dos maiores ídolos coxa-branca e coordenador da base do clube atualmente, Henrique foi/vai bem jogando nas duas funções.
– Desde a base ele sempre teve atuações de muita regularidade, com tendência para cima. A qualidade dele sempre foi diferenciada – afirmou, em entrevista ao LANCENET!.
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A promoção ao profissional aconteceu aos 19 anos, no início de 2006, junto com outros garotos que também ganharam chance depois de o time ser rebaixado no Brasileiro do ano anterior. Em fevereiro, estreia na equipe principal com vitória por 2 a 0 sobre o Toledo, fora de casa, pelo Paranaense. No ano seguinte, fez gol no jogo que garantiu a taça da Segundona.
Henrique saiu para o Palmeiras em 2008 e ainda atuou na Europa antes de retornar ao Palestra, em 2011. Mas a admiração do Coritiba por ele permanece viva no Couto.
Uma foto do zagueiro estampa a porta de um dos 12 quartos que abrigam jovens da base no alojamento que fica sob as arquibancadas.
Henrique volta de suspensão e a imagem que ele quer eternizar é a de campeão da Copa do Brasil.
Pai de Henrique mora em Curitiba (Foto: Caio Carrieri)
– Ele está muito feliz com o momento do time e disse que não vai deixar o título escapar – disse o pai, Nilton Buss, que recebeu a reportagem, em Curitiba, no domingo.
Na final, o xerife joga em casa.
Confira uma entrevista com Dirceu Krüger, coordenador da base do Coritiba:
LANCENET!: Qual foi o tipo de relação que o senhor teve com Henrique?
DIRCEU KRÜGER: O contato era o mesmo que eu tinha com todos os garotos, porque estamos no dia a dia, observamos e conversamos com os atletas. Todos passam por etapas, é como se fosse escola. Todos têm valor.
LNET!: Como que o Henrique se destacava na base?
DK: Ele sempre ia bem nas Copas São Paulo, Copa Belo Horizonte. Víamos que ele tinha uma grande qualidade e sempre foi um menino focado no trabalho. .
LNET!: Qual foi o dia que você o viu mais feliz?
DK: Ele sempre foi um menino feliz. Evidentemente a maior felicidade é quando o garoto veste a camisa do profissional. Quando ele estreou, em 2006, ficou muito feliz, entrou na equipe profissional e desempenhou o que esperávamos. E a nossa realização na base é quando o atleta passa ao profissional.
LNET!: Ele exercia algum tipo de liderança entre os garotos?
DK: Ele tinha uma liderança positiva. Não era uma liderança agressiva. Era normal, de orientar e conversar. Ele é respeitado.
LNET!: O que esperar do Henrique para a final no Couto Pereira?
DK: Vai entrar como sempre jogou em todos jogos, dentro daquele aspecto de seriedade e respeito com jogo, companheiros e adversário.
Ritual antes dos jogos
Todo dia de jogo do Palmeiras o telefone toca na casa da família Buss, no Cabral, bairro nobre da Zona Norte de Curitiba (PR). É Henrique cumprindo seu ritual de falar com a mãe, Ilse, antes de jogar.
– Ele sempre liga para a mãe dele, fala que vai jogar bem e passa muito otimismo pra família. Depois dos jogos eu sempre mando mensagem no celular dele comentando algo sobre o jogo – revelou o pai, Nilton, que recebeu o LANCENET! ao lado de Hericson, irmão de 21 anos de Henrique, já que a mãe e as outras duas irmãs do zagueiro (Hevelin, 17 e Helen, 20) estavam viajando.
Nesta quarta, no entanto, todos estarão no Couto Pereira para acompanhar a final.
– A minha esposa é quem mais sofre nos dias de jogos – comentou Nilton.
Confira uma entrevista com Nilton Buss, pai de Henrique:
LANCENET!: Como está o Henrique pra final? O que vocês conversaram?
NILTON BUSS: Com certeza ele deve estar muito empolgado, é muito motivador poder vencer um campeonato no estádio onde ele surgiu ao futebol.
LNET!: Como será a torcida da família quando a bolar rolar no Couto?
NB: Família do jogador não tem time fixo (risos). Realmente a gente torce para o time em que o nosso filho está jogando. O laço familiar fala muito mais alto nessas horas...
LNET!: Como foi a primeira conversa com ele depois da primeira final?
NB: Ele estava muito feliz e disse que não vai deixar esse título escapar. Está realmente muito otimista. No começo estava um pouco preocupado, depois teve o problema com o Barcos que também deixou os outros jogadores preocupados. Mas ele falou que a sorte voltou a estar do lado do Palmeiras e por isso está bastante confiante.
LNET!: E a possibilidade do título? O que ele comentou a respeito?
NB: Vê como uma coroação de tudo o que fez nos últimos anos, principalmente depois da volta dele ao Brasil. Ele está bem focado para essa conquista.
LNET!: Ele fez um gol que ajudou o Coxa a ser campeão em 2007. Sai outro na quarta-feira?
NB: Olha, eu acredito nesse gol do Henrique, sim, porque ele é pé quente em jogos decisivos.