sábado, 28 de julho de 2012

Tirone garante: ‘Não sou banana. Mando, mas não dou bronca’

Benjamin Back
Guilherme Cardoso

Publicada em 28/07/2012 às 07:08
São Paulo (SP)

Um ano e seis meses após ser eleito, Arnaldo Tirone está mais tranquilo. A aparência assustada, muito presente nos primeiros meses no cargo, não aparece mais. O presidente do Palmeiras garante não ser bonzinho e até revela ser briguento. Banana então, como muitos chegam a chamá-lo, nem pensar.

Brincalhão em alguns momentos, o dirigente não esconde o sorriso do rosto. Também, não poderia ser diferente. Após tantos problemas no início de sua gestão, o título da Copa do Brasil afastou algumas crises do Palestra Itália.

Mas isso não quer dizer que o trabalho foi concluído. Candidato à reeleição em janeiro de 2013, Tirone sabe que ainda tem muito coisa pela frente. A ideia é ter um time forte para a disputa da Copa Libertadores de 2013. Para isso, ele sonha com a manutenção de Luiz Felipe Scolari no comando do time. Mas nunca sem esquecer a tentativa de ajustar os gastos.

Em visita à redação do LANCENET!, ele participou do “Papo com Benja” e deu a entrevista:

Como está a situação do Valdivia? Chegaram a conversar com ele após a entrevista da semana passada contra o Náutico?
Arnaldo Tirone: Valdivia teve aquele problema particular. Naquele momento, ficou assustado e achava difícil ficar em São Paulo, porque a família estava indo para o Chile. A gente conversou e ficou combinado de ele jogar a Copa do Brasil. E ele foi muito bem na Copa do Brasil, houve uma mudança nisso, ele ficou muito animado. Depois disso, o pai dele esteve em São Paulo para conversar conosco e pediu que se houvesse alguma proposta, ele gostaria de saber. Naquele momento não tinha, mas logo no dia seguinte veio uma sondagem do time de fora, da Arábia. A gente colocou bem explícito o que tinha acontecido e o valor que tínhamos pago pelo Valdivia. Veio uma proposta, uma sondagem que, em um primeiro momento, não aceitamos. Depois, veio outra proposta que ficamos de analisar e eles conversaram com o jogador. Mas não houve avanço nisso. Não foi nada formal, foi mais uma consulta.

Chegou algum documento oficial desse interesse pelo Valdivia?
AT: Não. O que aconteceu foi que colocamos o valor que pagamos (6 milhões de euros). Mas formal, nada.

Depois que não deu certo a negociação, você conversou com ele? O que ele passou para a diretoria?
AT: Conversei. Ele falou que tinha o problema da mulher estar no Chile, mas que precisava pensar se queria ir. Falei: “Valdivia, é o seguinte, o Palmeiras não aceitou nenhuma proposta ainda, mas o Palmeiras tem de entender...”. Ele disse que estava bem aqui, mas ainda tinha esse problema com a família.

Valdivia está enrolando o Palmeiras? No fim das contas, a contratação dele valeu a pena?
AT: Ele não falou que quer ir embora. É um ser humano. Ele tem a personalidade dele. Valdivia tem um temperamento diferenciado. A gente respeita. Se fosse tímido, não seria o que ele é. A contratação não valeu, mas pelo nome do Valdivia, valeu. Pelo rendimento dele, não valeu porque se machucou muito e teve as convocações (para a seleção do chilena). Mas ele tem mais dois anos de contrato e já vem se recuperando (o vínculo vence em agosto de 2015). Nas finais da Copa do Brasil, ele foi determinado, preponderante, matou o Grêmio. Ele vem jogando muito bem, desequilibra, é uma referência. O Palmeiras tem uma espinha dorsal: (Marcos) Assunção, Henrique, Barcos, Bruno.

Você tem um bom relacionamento com o Felipão?
AT: A gente brinca. (O vice-presidente de futebol Roberto) Frizzo tem um jeito diferente. A personalidade do Tirone é diferente do Mustafá (Contursi), do Frizzo. Sou uma pessoa fácil. O único que tem problema é... (Gilto Avalone). Ele me irrita. Vou brigar com ele? Isso é besteira.

Felipão vai continuar no clube para a próxima temporada?
AT: Se depender do Palmeiras, Felipão fica. Conversei com ele naquele jogo do Guarani (quando o Verdão foi eliminado nas quartas de final do Paulistão). Fiquei sabendo que o Felipão entrou no vestiário mal. Ele estava desanimado, muito chateado. Liguei para ele às 23h e falei: “Se você desanimar e eu desanimar, vamos ter de ir embora os dois. Você sabe que eu sou seu amigo, você é mais velho que eu, já treinou a Seleção Brasileira... Então, tem de me falar se ainda acredita e deseja continuar no Palmeiras. Não adianta ficar... Eu ainda acredito”. Ele falou que estava bem, que acreditava e não aceitava os erros que estavam acontecendo. Depois disso, percebi que o Felipe gosta do Palmeiras, gosta de São Paulo. Ele fica pilhado com essas farpas que jogam. Mas não adianta ficar preocupado com isso. Ele tem um assessor de imprensa que passa tudo a ele. Tem pessoas que são contrarias a nós.

Ano passado, no Corinthians, Andrés Sanchez conversou com os possíveis candidatos à eleição no Corinthians e ficou combinado que o Tite ficaria mesmo se mudasse a diretoria. Pensa em fazer isso no Palmeiras para 2013?
AT: Não. Cada um tem uma maneira de pensar. Primeiro que não tem nenhum candidato colocado ainda. Tem muita especulação de alguns nomes. Mas não vou expor. O futuro presidente tem de fazer o que acha melhor. Entendo que o Felipão tem muito a dar para o Palmeiras, pode fazer o Palmeiras ganhar ainda mais. Se eu continuar na próxima gestão e as coisas continuarem como estão, vou tentar mantê-lo.
(Nota de redação: As eleições para presidente do Palmeiras acontecem em janeiro de 2013. Arnaldo Tirone vai se candidatar à reeleição).

Você se preocupa com a situação do Palmeiras no Brasileirão?
AT: O Palmeiras vai sair dessa zona, vai se recuperar. Na quinta, o Palmeiras tinha tudo para ganhar o jogo, o Obina jogou muito bem, até não conseguiu fazer um gol. Teve um gol anulado. O Palmeiras vai sair dessa fase, vai se recuperar. Vamos focar na Copa Sul-Americana.

Como está o planejamento para o restante do ano? Dá para fazer mais alguma contratação?
AT: Claro, a qualquer momento. Não agora ou nos próximos dias, porque não tem nada em cogitação. Mas temos cinco meses pela frente, até dezembro, para poder fazer alguma contratação a mais para o time.

E para o próximo ano? Já planejam algo mesmo com as eleições?
AT: O Palmeiras segue no ritmo normal de trabalho. Quem quer que seja o futuro do presidente, não vamos deixar de trabalhar por causa do ano que vem. Se tiver alguma oportunidade para qualificar ainda mais o elenco, vamos fazer.

Qual a sensação de ganhar um título após tanta pressão?
AT: É um título importante, está consignado na história do Palmeiras. Esse título foi para a torcida, foi de presente para eles. É um sinal que o trabalho surtiu efeito e está sendo correto. A gente vai continuar nessa linha. Fique satisfeito por poder ter pelo menos chegado a um objetivo. Eu falei que pensava em ganhar um ou dois títulos. O primeiro, a gente já ganhou. Agora, temos a Sul-Americana. O Brasileiro está difícil. Temos a Sul-Americana e, ano que vem, a Copa Libertadores.

Acredita que dá para ganhar a Copa Sul-Americana?
AT: Se a gente jogar como fizemos durante a Copa do Brasil, dá.

Antes de ser eleito, você disse que estava preparado para ser presidente do Palmeiras. Todo mundo falava que você ia ser o fantoche do Mustafá (Contursi, ex-presidente). Ser o presidente do Palmeiras era isso o que você imaginava?
AT: Eu imaginava que era difícil. E não é fácil. A gente sabe que o Palmeiras é grande, tem muitos problemas. É um clube de futebol e com muita emoção. Existe um conjunto de cobranças. Até nos primeiros dias eu fiquei assustado. Acordar presidente com a responsabilidade de acertar. Não pode errar, porque não é algo seu. Se quebrar uma empresa sua, tudo bem. Mas o Palmeiras não é nosso. No começo, fiquei, não com medo, porque não sou medroso. Mas fiquei com receio. Mas Deus me ajudou, tenho sorte, luz. Sou uma pessoa iluminada.

Você foi muito criticado. Como foi a caminhada até o título?
AT: A minha mulher até me cobra: “Você leva porrada e não responde”. Se eu ficar respondendo toda hora... Procuro nem ler jornal. O que sai na mídia é muita informação errada. Isso faz a gente ficar desgastado e acaba perdendo tempo.

Mas o que é publicado sai de dentro do Palmeiras. Por que?
AT: São interesses de pessoas que têm algum grupo político e querem denegrir a imagem da nossa administração. Existem lá as candinhas, a gente sabe quem é. Ficam plantando notícia. O problema é que você tem 287 conselheiros e cada um tem uma personalidade, um emocional. Tenho quase 80 diretores. Cada um tem uma maneira de ver e cada um quer tocar as coisas da sua maneira. O ex-presidente (Affonso) Della Monica falou que metade do dia ficava administrando conflitos. Sou calmo. Não sou bonzinho. Dou porrada se precisar. Sou briguento.

Você fica bravo quando chamam você de banana?
AT: Eu não sou banana. Sou até uma pessoa difícil. Sou teimoso. Mando, mas não dou bronca. Bronca é um argumento de otário. A minha bronca é ficar quieto. Sou uma pessoa quieta. Falo muito pouco, gosto de escutar. Gosto de pensar para resolver as coisas. Mas tem coisas que não da para pensar. Se me oferecem algum jogador maravilhoso, tenho de resolver isso na hora.

É muito difícil conseguir ser presidente do Palmeiras?
AT: Você montar uma diretoria no Palmeiras já é difícil. Você pensa em um nome, e vê que tem um problema. Aí, não dá. Então, você fica administrando. Por isso que tem de profissionalizar mais o clube. Não deu para fazer ainda 60% do que a gente tinha de fazer. Existia esse problema de não aumentarmos a dívida. Se sua empresa não paga salário, você não vem trabalhar. Salário é sagrado. É uma coisa que implantamos. A gente acata os compromissos. A preocupação nossa era muito grande. Ano passado, não dava para fazer nada. Alguns jogadores não estavam se encaixando. Todos os ex-presidentes, quando terminaram a gestão, têm erros. Eu vou ter erros. O problema é político dentro do Palmeiras. Quando assumi, mantivemos o que eu achava que era correto.

Presidente do Verdão comenta:

Saída de Kleber
Tirone comentou a situação do atacante, que brigou com Felipão e foi negociado no fim ano ano passado:

– Tivemos várias conversas com ele. Mas ele estava com a cabeça feita de sair do Palmeiras. Ele jogou dois ou três jogos bem, teve uma contusão e não jogou mais. Fiquei chateado, porque ele realmente embicou com o Palmeiras. Não quis continuar. Mas poderia ter saído de outra maneira. No meio do Campeonato Brasileiro, não podia perdê-lo para o Flamengo.

Luiz Gonzaga Belluzzo
O atual presidente do Verdão garante ter bom relacionamento com o antecessor:

– Belluzzo foi um presidente que teve ótimas ideias. Mas colocou o Palmeiras em algumas situações. Acho que ele foi mal. Não o Belluzzo em si, mas a gestão dele, por problemas políticos. Agora, se eu me preocupar que quero me reeleger, vou começar a fazer shows da Disney. Belluzzo é um cara que quer o bem do Palmeiras, é palmeirense. O pai dele é muito amigo do meu pai. É meu amigo, já foi presidente do clube.

Arbitragem contra o Bahia
O dirigente analisou a arbitragem de Antônio Frederico Schneider na derrota por 2 a 0 para o Bahia, na última quinta:

– Acho que não houve o pênalti. O jogador do Bahia colocou a mão na bola (em lance com Barcos dentro da área no segundo tempo). O lateral (Gil) bateu muito nos nossos jogadores. A arbitragem influenciou. Não estou falando que foi de propósito, o Bahia tem méritos. Vamos analisar a fita novamente. Se a gente achar que tem de reclamar, vamos reclamar