Fabricio Crepaldi
Publicada em 05/07/2012 às 07:17
São Paulo (SP)
Em 30 de maio de 1998, mais de 45 mil pessoas foram ao Morumbi e viram o Palmeiras conquistar o título da Copa do Brasil sobre o Cruzeiro. Um deles era Bruno Cortez Cardoso, de 13 anos.
E, em mais um desses casos de caprichos do destino, aquele garoto é o goleiro titular do Alviverde, que volta à final após 14 anos, e nesta quinta estará em campo no primeiro jogo da decisão da mesma competição, contra o Coritiba, às 21h50, na Arena Barueri.
Na época, Bruno estudava e já jogava na categoria de base do clube. Mas também era um palmeirense apaixonado, que delirou com o gol do título, marcado por Oséas.
– Eu estava no estádio. Na hora do gol teve aquela explosão fantástica, o estádio inteiro. Todo mundo demorou a entender, ninguém comemorou na hora. Foi fantástico, o Morumbi explodiu – disse Bruno, que visitou a redação do LANCE!, na última segunda.
Quando garoto, o goleiro era um torcedor fanático. Daqueles que compravam faixa e pôster com os ídolos. Mas não deixava de sonhar em, um dia, fazer parte daquela imagem. Nesta quinta, ele pode começar a realizar o que considera o maior desejo.
– Do mesmo jeito que eu comprava os pôsters de campeão com ídolos como Marcos, Zinho, Evair, quero proporcionar isso à torcida. Que eles comprem e eu esteja no pôster. Poder viver isso é fantástico, vou morrer em campo se precisar – declarou.
Há 15 anos no clube, Bruno tem Marcos como grande exemplo. Assim como o Santo, entrou no time durante uma competição (o ídolo entrou na Libertadores de 1999) e chegou à final. Ele quer alcançar o mesmo sucesso do ídolo e sonha...
Bruno: Sei como é ser campeão torcendo, agora quero ser jogando
– Vejo a foto dos ídolos no vestiário e sonho com a minha do lado. Tem um espaço vago na entrada, que eu e o Assunção sempre brincamos que nossa foto vai estar lá – contou.
É a chance de realizar os sonhos dele e de milhões de palmeirenses.
Últimas finais
Marcos intocável
O Santo foi o “dono” do gol do Palmeiras de 1999 até o ano passado, sua última temporada. Desde que entrou, ele só ficou fora de uma final que o Verdão jogou. No período, venceu a Libertadores de 99, o Rio-São Paulo de 2000 e o Paulista de 2008 (foto), e perdeu o Paulista e a Mercosul de 99, e a Libertadores do ano seguinte. A única decisão sem Marcos (lesionado) foi a Copa dos Campeões de 2000, quando Sérgio levou a equipe ao título.
Confira uma entrevista exclusiva com Bruno:
LANCENET!: Como é para um torcedor poder jogar a final pelo Palmeiras?
BRUNO: Sentimento muda um pouco, porque não dá para ser o mesmo em campo e na arquibancada. Mas com certeza não existe nesse mundo alguém mais feliz que eu, tenho certeza absoluta. Ninguém com mais vontade de jogar essa final. É o jogo mais importante da minha vida, quero muito dar essa alegria para os torcedores.
LNET!: É uma realização ainda maior por estar há 15 anos no clube?
B: A alegria que eu tive quando cheguei, entre 97 e 2000 com aqueles times, que eu era muito torcedor, quero poder proporcionar ao torcedor de agora. Sei como é ser campeão torcendo e quero ser jogando. Não tenho palavras. Entrar para história do clube, gravar meu nome, dar essa alegria para minha família e 17 milhões de torcedores, a gente nem imagina às vezes o que isso significa.
LNET!: É uma motivação maior poder dar à torcida o que você já sentiu?
B: Claro, a molecada chegar na escola no dia seguinte, zoando os outros. Lembro que em 98 levei a faixa de campeão e coloquei em cima da lousa, a professora ficou brava comigo. Isso que eu senti quero proporcionar à torcida.
LNET!: Acha que essa final é a maior chance para se consagrar?
B: É um título importante, que vai me fazer entrar na história do clube, essa é a importância maior. Eu não faço questão nenhuma de “aparecer” muito, tomara que nos 180 minutos nem precise de mim. Mas se precisar com certeza vou trabalhar para corresponder.
LNET!: Como está a ansiedade para sua primeira final como titular?
B: Para dormir é um pouco complicado. Quanto mais se aproxima do jogo, vai ficando mais difícil. A ansiedade é grande, mas é boa. É aquela que deixa você ligado, isso é gostoso, dá para controlar. Tomara que eu continue com essa ansiedade para dar tudo certo como foi contra o Grêmio.
LNET!: Dá para repetir o feito de 98?
B: Claro. Ninguém acreditava muito que seriam campeões, como com o nosso time. Podemos entrar para a história, como aquele time. Isso só depende de nós.
LNET!: Acha sua história parecida com a do Marcos no clube?
B: Falei com ele sobre isso, brinquei. São competições diferentes, mas situações bem parecidas. Entramos no meio da competição, acabamos chegando na final. Sempre disse que quero construir carreira tão brilhante quanto Marcos teve. Vou buscar isso e tomara que comece nessa Copa do Brasil.