quarta-feira, 19 de junho de 2013

Após quebradeira, centro esvazia; sobram sujeira e prejuízos

Moto foi queimada durante onde de depredações Foto: Vagner Magalhães / Terra Moto foi queimada durante onde de depredações Foto: Vagner Magalhães / Terra

Por volta das 23h desta terça-feira, após mais de 3 horas de quebradeira geral, o cenário do centro histórico da capital paulista lembrava algumas cenas do filme Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, baseado no livro do escritor português José Saramago. Rodado na cidade de São Paulo, em 2008, teve o viaduto do Chá - local da sede da Prefeitura paulistana - como uma de suas locações. No filme, o centro aparece esvaziado e coberto de sujeira. É o cenário pós-apocalíptico que os cegos encontraram ao deixar um manicômio em que permaneceram mantidos em quarentena. No filme, a cegueira é contagiosa. Na vida real, a violência, que começou tímida, ganhou corpo e se espalhou pelas ruas históricas. Houve depredações, focos de incêndio e saques nas lojas.

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O quebra-quebra começou por volta das 18h30, quando milhares de manifestantes chegaram ao local para protestar contra o aumento no preço das passagens de ônibus - de R$ 3 para R$ 3,20 -, autorizado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no último dia 2 de junho. No mesmo dia, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) também autorizou o reajuste do preço das passagens de trem e metrô de R$ 3,00 para R$ 3,20. O Palácio dos Bandeirantes foi igualmente alvo de vandalismo, na noite de segunda-feira.

Nos dois casos, a violência não teve a anuência do Movimento Passe Livre, que iniciou as manifestações. Na sede da Prefeitura, em vários momentos houve briga entre aqueles que iniciaram os atos os que tentaram impedi-lo. O primeiro sinal de que a situação poderia sair do controle ocorreu quando as duas barreiras de grades que cercavam a sede da Prefeitura foram ultrapassadas. Um grupo mais exaltado entrou em confronto com a Guarda Civil Metropolitana, que fazia a segurança do local, mas, acuada, a segurança trancou as portas e se refugiou dentro da Prefeitura.  Um grupo de cerca de 100 manifestantes ainda tentou proteger o prédio, mas com pedras atiradas contra eles, acabou deixando o local.

Esses vândalos se infiltraram e prejudicaram tudo, disse Lucinda (esq.) Foto: Vagner Magalhães / Terra Esses vândalos se infiltraram e prejudicaram tudo, disse Lucinda (esq.) Foto: Vagner Magalhães / Terra

"Esses vândalos se infiltraram e prejudicaram tudo. Era uma passeata pacífica. Nós estamos lutando por uma coisa que não tem nada a ver com isso que eles estão fazendo. Tanto que quem era do movimento foi para a avenida Paulista. Nós só não fomos ainda porque ficamos com medo de sair antes, mas agora vamos embora", lamentou a funcionária pública Lucinda Cruz Assunção, 43 anos, que estava acompanhada da amiga Andreia, 41 anos, também funcionária pública.

A partir daí, o caminho ficou aberto para os atos de vandalismo - ainda que alguns manifestantes insistissem protestar de maneira pacífica. As grades foram utilizadas para quebrar mais vidros, paredes foram pichadas e uma base da Polícia Militar, que fica em frente ao prédio, teve os vidros quebrados. Manifestantes retiraram ainda as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo de seus mastros. Permaneceu a do Brasil, que ao fim da noite também já não estaria mais lá.